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Gilmar Mendes se pronuncia sobre audiência de Mariana Ferrer: ”estarrecedor”

O ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STF) Gilmar Mendes decidiu comentar as cenas do julgamento do empresário André Camargo Aranha, acusado de violar a organizadora do evento de 2018 Mariana Ferrer em uma boate de Florianópolis, Santa Catarina.

As fotos foram compartilhadas no site do The Intercept Brasil e mostram como a vítima de assédio foi humilhada e forçada na Justiça por um advogado de um empresário e na frente de um juiz que permaneceu indiferente e outras pessoas que acompanharam o julgamento.


Mariana Ferrer foi tratada como se fosse uma criminosa, como se o gerente de futebol a tivesse pedido para assediá-la.

André Camargo Aranha é treinador de vários jogadores de futebol e é um personagem fácil neste meio, sendo constantemente visto ao lado de estrelas como Ronaldinho Fenômeno e Gabriel Jesus.

Ao analisar as fotos, Gilmar Mendes as assustou e mostrou toda sua indignação em uma postagem que compartilhou em seu perfil oficial no Twitter.

As palavras proferidas pelo advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho são insultuosas e, no mínimo, lamentáveis.

Ria da virgindade de uma jovem, ressaltando, entre outras coisas, que jamais teria uma filha no "nível" de Mariana.

Para encerrar seu desprezo pela vítima, ele encerrou sua defesa dos criminosos com a seguinte declaração:

“Só aparece essa sua carinha chorando. Só falta uma auréola na cabeça. Não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso, e essa lágrima de crocodilo”.

André de Camargo Aranha foi absolvido e o juiz proferiu sentença inédita e extraordinária: "estupro culposo". Confira a opinião de Gilmar Mendes:

Transtornado, Gastão chega a dizer que “ela nunca teria tido uma filha no mesmo nível” de uma jovem, e ainda afirma que Mariana manipularia os fatos: "Você vive disso? Esse incubatório é seu, não é, Mariana, é verdade, não é? É seu dever merecer a desgraça dos outros? Para manipular essa história virgem? ”, Afirma Claúdio Gatão durante o julgamento.

Em setembro daquele ano, André de Camargo Aranha foi absolvido da acusação de estupro de pessoas expostas "sem provas". O juiz acatou a defesa de que André havia cometido "estupro de culpa". Como o crime não está previsto em lei, ele foi absolvido.