‘Povo brasileiro não será cobaia’, diz Bolsonaro sobre CoronaVac

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje que o governo brasileiro não comprará doses da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan e que tem o governo de São Paulo, comandado pelo rival político João Doria (PSDB), como principal fiador no Brasil.

Em declaração postada nas redes sociais, o presidente afirmou que não vai firmar acordo por nenhuma vacina não autorizada pela Anvisa e que o povo brasileiro não será “cobaia”. Ainda chamou a CoronaVac de “vacina chinesa de João Doria”.

Antes da reunião com governadores, o Ministério da Saúde chegou a enviar um ofício ao Instituto Butatan, datado de segunda-feira (19), para confirmar a intenção de compra das vacinas. “Informo a intenção em adquirir 46 milhões de doses da referida vacina (Vacina Butatan – Sinovac/Covid-19)”, diz o documento assinado por Pazuello. “Ao preço estimado de US$ 10,30 (dez dólares e trinta centavos) por dose, seguindo as especificações da vacina e o respectivo cronograma de entrega.”

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No fim da manhã de hoje, Bolsonaro disse que mandou cancelar o protocolo de intenções. “Não abro mão da minha autoridade”, afirmou o presidente.

Brasil assinou compra da vacina de Oxford sem autorização da Anvisa

A declaração de Bolsonaro nas redes sociais contradiz os esforços do atual governo em divulgar, incentivar e produzir cloroquina, medicamento cuja eficácia nunca foi comprovada contra o coronavírus. O Exército brasileiro havia produzido até julho 3 milhões de comprimidos do medicamento. Os custos da produção, de mais de R$ 1,5 milhão, são alvo de investigação do Ministério Público de Contas e do TCU.

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Além disso, apesar de dizer que não comprará vacina não autorizada pela Anvisa, em 6 de agosto, Jair Bolsonaro assinou MP (Medida Provisória) que libera R$ 1,9 bilhão para produção, compra e distribuição de 100 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório Astrazeneca. No Brasil, a pesquisa sobre esse imunizante é liderada pela Fiocruz.

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As vacinas da Sinovac e da Astrazeneca estão na mesma fase 3, o estágio em que são feitos testes massivos do imunizante. Nenhuma delas ainda tem eficácia comprovada nem autorização de uso pela Anvisa.

Questionado hoje por um seguidor sobre por que exigia eficácia comprovada de uma vacina se recomenda o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina, cuja eficácia contra a covid-19 já foi negada pela OMS (Organização Mundial de Saúde), Bolsonaro respondeu: “tomava a hidroxicloroquina depois de contaminado ou não tomava nada. Simples, ninguém obrigava tomar a HCQ”.


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