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Recepcionista negra é demitida de clínica médica e motivo choca a todos


Em abril, Karina Carla, de 35 anos, voltou das férias com uma aparência diferente. Ela, que estava cortando o cabelo, resolveu fazer tranças. A decisão não recorreu para a clínica médica onde a recepcionista trabalhava há mais de seis anos, em Nova Lima, Grande BH (MG).

Argumentou-se que a aparência não combinava com a do local. Seis dias depois de se recusar a mudar o cabelo, Karina foi liberada. O caso foi levado à Justiça, que a condenou ao pagamento de R$ 30.000 a título de dano imaterial. A ação foi publicada ontem pelo Tribunal Distrital do Trabalho (TRT). A recepcionista e a clínica já fizeram recursos que serão julgados pela agência.

Karina disse ainda que seu ex-chefe, percebendo as tranças, tirou uma foto dela para avaliação da Consultora de Imagem que atendia o local. Numa conversa telefônica, o consultor, sabendo do patrão, constrangia Karina e mandava que ela retirasse as tranças.

Um trecho do registro da conversa que surgiu no processo mostrou à consultora que o novo visual foi bastante informal para a carreira de Karina, principalmente nos padrões clínicos de atendimento aos clientes.

“Você não pode trabalhar com ele. É muito informal. Você sabe, ele até tem um penteado. Certos estilos de cabelo são na verdade o código de vestimenta da empresa, muito folgados, muito casuais (e) inadequados para bancos. Uma consultora disse que esse é o caso dos clínicos gerais e disse que mandaria outro especialista à clínica no dia seguinte para que “eu pudesse ensiná-la a fazer rolos de papel e como usá-los todos os dias”.

Karina informou ao UOL que, apesar dos temores, decidiu não tirar as tranças.
“Não posso negar que fiquei com medo porque precisava desse trabalho e fui pressionada pela dona da clínica e sua consultora de imagem”, Ela disse que defender suas tranças faz parte dela.

“A trança faz parte da minha identidade e cultura, além de ajudar no cabelo.”

A clínica diz que a demissão foi devido à queda do tráfego

A clínica disse que a libertação de Karina foi o resultado de uma queda drástica no tráfego causada pela pandemia COVID-19. Além disso, afirmou que a recepcionista sempre foi apreciada e elogiada. A empresa também observou que não era uma conclusão precipitada que Karina iria alisar o cabelo. O Consultor de Imagem frisou que não houve tratamento discriminatório, apenas um pedido de corte de cabelo formal.

No julgamento do caso, o juiz Henrique Macedo admitiu que os efeitos econômicos da pandemia poderiam ter levado a clínica a cortar funcionários. No entanto, ele argumentou que a demissão foi pelo menos devido à recusa de Karina em mudar sua aparência, já que sua demissão ocorreu menos de uma semana depois que o consultor de imagem falou com a recepcionista.

Citando diversos autores, o juiz destacou que as tranças são “um símbolo de origem adequado para grande parte das mulheres negras e representam um conjunto de meios estéticos utilizados há muito tempo, mas que hoje têm um impacto muito significativo na imagem dessas mulheres e no processo de (re) construí-las. auto estima “.

O juiz também julgou que não havia nenhum elemento de condenação no julgamento que indicasse que as tranças de Karina eram inadequadas para uso em seu local de trabalho, a não ser para destacar o racismo velado na sociedade.

“Na maioria dos casos, principalmente em uma sociedade que acredita na vida em democracia racial, é necessário aprofundar o comportamento para entender as motivações subjacentes e, principalmente, as consequências dessas ações. Uma vez que estes são escameados e as intenções subjacentes são reveladas, parece que o racismo é um problema que está presente no “DNA” da sociedade, ou seja, é transportado para toda a estrutura das relações que compõem as instituições (família, igreja, empresas, partidos políticos, etc.). “