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Sequestro e estupro de crianças, alguns dos crimes cometidos por um ex- major da PM


O ex-major da Polícia Militar (PM) Cristiano Silva de Macena foi condenado a 45 anos e oito meses de prisão por sequestro e estupro de duas irmãs, de 11 e 12 anos, em Rio Verde. O crime foi cometido em outubro do ano passado. Os militares também foram condenados por adulterar uma placa de identificação do veículo. Ele permanece na prisão militar de Goiânia.

Segundo o promotor adjunto, Gilson Lima Costa, com a decisão, “as vítimas e seus familiares se sentem um pouco consolados com esta condenação. Estudaremos todos os pontos da sentença e, onde houver possibilidade de aumento de sentença, entraremos com recurso para aumento de sentença. ”

“Não achamos que será suficiente diante da monstruosidade que esse ‘homem’ fez, destruiu a vida de duas crianças e a vida de uma família inteira, essa monstruosidade jamais será apagada da mente dessas pessoas, 100 anos de condenação ainda seriam poucos ”, afirma.

A sentença foi proferida pelo desembargador Eduardo Álvares de Oliveira, na tarde desta terça-feira (17). O Mais Goiás entrou em contato com a defesa de Cristiano, representada pelo advogado Tadeu Bastos e aguarda julgamento.

O portal também encontrou contacto com o PM que, por meio de nota, afirmou que “a conduta é cumprir todas as determinações emanadas das autoridades competentes, e que cumprirá decisão judicial, com discussão apenas em o campo jurídico. “Vale ressaltar que o juiz pode pedir sua expulsão da corporação, mas a decisão é da própria PM.

Lembra do crime?

Cristiano foi preso no dia 23 de outubro de 2019. Segundo a Polícia Civil (PC), as vítimas contaram que o então militar escalou o muro e entrou na residência onde moravam as crianças. Ele teria amarrado a avó das irmãs e sequestrado as crianças. Ainda em depoimento, as meninas relataram que foram levadas para uma casa sem muitos móveis e que sofreram abusos por cerca de duas horas.

Na hora do crime, o delegado Carlos Alberto Batista frisou que o crime poderia ter sido premeditado. Isso porque, dois meses antes do estupro, o major participou de uma operação em que a mãe das meninas foi investigada. Na residência, foram cumpridos mandados de busca e apreensão. Depois disso, uma chave de casa teria desaparecido.

“Não há sinais de roubo. Por isso, a presença de uma segunda pessoa também foi excluída da participação no crime. Além disso, sua casa e o veículo foram testados e foram encontrados vestígios que indicam que as meninas estavam lá. No entanto, aguardamos os resultados dos relatórios para ajudar na conclusão das investigações”, disse.

Os abusos foram comprovados em exames. Atualmente, as vítimas passam por tratamento e apoio psicológico. Em 24 de outubro daquele ano, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) requereu a conversão do presídio em flagrante delito para fins preventivos. O pedido, feito pelo procurador Fabrício Lamas Borges, foi justificado pela periculosidade do caso e por haver indícios de que o policial poderia comprometer as provas.

No dia seguinte, o juiz Rodrigo Melo Bustolin converteu a prisão após uma audiência de custódia. Na ocasião, o Comando Geral do PM informou que ele havia sido exonerado do cargo de comandante da Companhia de Policiamento Especial (CPE). O capitão Ronniery de Morais ocupou o cargo.